Investidor do Shark Tank, Marcus Dantus, mostra sua visão em relação ao mercado de Startups da América Latina

Como você chegou ao ponto agora, como essa grande aventura no mundo da inovação começou?

Marcus Dantus: Bem, é uma história engraçada. Eu sou um empreendedor principalmente porque não gosto de trabalhar para mais ninguém – desde que eu estava no ensino médio. Depois de tentar alguns trabalhos, decidi que deveria começar meu próprio negócio, e um amigo meu me mostrou coisas novas chamadas ‘internet’. Fiquei completamente impressionado com todas as oportunidades que tivemos usando essa nova mídia e, em 1993, comecei minha própria startup.

Nestas 2 décadas de experiência em internet e inovação. Como você viu a evolução do ecossistema de inovação latino-americano?

Marcus Dantus:  O ecossistema não existia. Havia poucos empresários e no México tínhamos poucas empresas de internet.

MercadoLibre e Despegar foram as grandes referências na LATAM e foi praticamente isso. Após a bolha da Internet, em 2000, as coisas ficaram ainda piores e pudemos contar o número de empreendedores em uma mão. As coisas foram assim até o ano de 2010. De lá para cá, o crescimento foi inacreditável.

E hoje em dia como você vê o ecossistema na América Latina?

Marcus Dantus: Agora é completamente diferente, o México é um país líder na América Latina – juntamente com o Brasil. O número de empresários cresceu exponencialmente e o número de instituições para financiamento acompanhou este crescimento. Temos pessoas talentosas se formando que já querem começar seu próprio negócio.

É muito mais fácil se tornar um empreendedor, temos incubadoras, aceleradores, fundos de capital de risco e programas governamentais de apoio. É um ecossistema inteiro – com um solo fértil.

De fato, notei que as pessoas nas universidades estão cada vez mais dispostas a trabalhar em startups e não em bancos. Como você vê o futuro do ambiente de inovação da América Latina?

Marcus Dantus: Bem, há muita coisa acontecendo agora. Temos toneladas de problemas com nossas instituições públicas, a América Latina se aprofunda nos problemas de corrupção.

Este ano, temos eleições na Colômbia, Brasil, México e Venezuela. Tudo pode acontecer e, se não elegermos pessoas com mentalidade empreendedora, todo o terreno que conquistamos nos últimos anos pode ser perdido rapidamente.

Por outro lado, se formos capazes de impulsionar a agenda de inovação e empreendedorismo, temos a oportunidade de transformar os países latino-americanos em países realmente desenvolvidos – com economias baseadas em inovação e conhecimento.

Bem, nós vemos tudo o que está acontecendo na América Latina com as eleições, nós temos essa situação triste na Venezuela, a corrupção dentro dos nossos governos, o fenômeno das Fake News. E de fato tudo isso é realmente ameaçador. Além do fator político, que outras barreiras você vê para o nosso desenvolvimento?

Marcus Dantus: Precisamos correr riscos e aceitar falhas. Na América Latina, o fracasso é o tipo de coisa que escondemos dos nossos currículos. Enquanto nos EUA, se você falhar, vale mais. Temos que estar dispostos a arriscar.

Muitos dos fundos não querem investir em negócios arriscados e esse é o objetivo dos VCs. No México, por exemplo, em vez de chamá-lo de capital de risco, chamamos de Capital Empreendedor. É o quanto queremos evitar riscos. Essas são barreiras que precisamos superar. Temos que aproveitar os millennials e sua disposição para mudar as coisas.

Como você vê todas as diferenças nos EUA e na América Latina?

Marcus Dantus: Além da cultura, o governo investe muito em pesquisa e desenvolvimento. Mas, para ser honesto, na minha opinião, os Estados Unidos não são mais o melhor exemplo de empreendedorismo, já que com o novo governo eles estão passando da inovação para o trabalho de manufatura regular – é uma grande oportunidade para a América Latina!

Podemos aumentar nosso nível de participação no mundo da criação de conhecimento e inovação. Ainda temos muito a aprender com os EUA, mas, se dedicarmos um pouco de tempo e esforço, podemos chegar lá no futuro.

E desde que você começou a Startup Mexico, como você vê essas mudanças culturais nas startups participantes do programa?

Marcus Dantus:  Eles vieram em tendências. Primeiro, eles tendiam a copiar o Uber. Mas agora, as startups estão ficando mais inovadoras e diversificadas. E os empresários estão ficando mais sofisticados ao longo do tempo.

Agora eles sabem que não é apenas resolver um problema, é diferenciar, é sobre o mercado, é sobre a equipe. Espero que eles encontrem melhores oportunidades e ideias. Eventualmente, essas ideias evoluirão para algo mais e se tornarão um unicórnio.

E qual dica você dá para as pessoas que estão dispostas a começar seu projeto?

Marcus Dantus: Eu sempre dou as mesmas 3 dicas. Primeiro, encontre o problema; segundo, resolva-o de uma forma inovadora diferente; e terceiro, ama o que você faz.

As pessoas acham que ser um empreendedor é mais fácil do que ser empregado, e não poderia estar mais errado. Se você não ama o que faz, terá muitos problemas quando as coisas ficarem difíceis.

Quais são os maiores erros que você vê as startups fazendo?

Marcus Dantus:  Há muitos erros, muitos deles têm ideias, mas nunca os testam com o público. Eles lutam entre os fundadores – quando eles têm dinheiro e quando não têm dinheiro.

Eles desistem cedo. A startup não morre até que seus fundadores desistam. Não desista.

Como você vê a colaboração entre o Innovation Awards Latam e o Startup México?

Marcus Dantus: O acrônimo de Startup Mexico é SUM, para adicionar. Precisamos de colaboração. Inovação sem colaboração é impossível. Congratulamo-nos com a disposição da Innovation Awards Latam de colaborar e desenvolver o ecossistema de inovação na América Latina.

Não estamos jogando um jogo de soma zero, se vencermos, mais pessoas ganham. Quanto mais pessoas melhorarem o ecossistema, mais o ecossistema fará.

Por Rodrigo Brasileiro, Cantarino Brasileiro.

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